Cuidar das mamas também é cuidar do coração

Fernanda Utrini • October 6, 2026

Compartilhe esse post

Quando pensamos em saúde da mulher, é comum separar os cuidados por especialidade: de um lado, as mamas; de outro, o coração. Mas, em algumas situações, esses dois cuidados precisam caminhar juntos.
Isso acontece especialmente durante e após o tratamento do câncer de mama. Algumas terapias importantes para combater a doença podem ter efeitos sobre o sistema cardiovascular. Por isso, acompanhar a saúde do coração também pode fazer parte de um cuidado oncológico completo.

Qual é a relação entre câncer de mama e saúde do coração?


O câncer de mama pode ser tratado de diferentes maneiras, de acordo com características do tumor e da própria paciente. Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo.

Alguns desses tratamentos podem causar efeitos cardiovasculares em determinadas pacientes. É o que chamamos de cardiotoxicidade ou toxicidade cardiovascular relacionada ao tratamento do câncer. Esses efeitos não acontecem com todas as pessoas e não significam que o tratamento oncológico deva ser evitado. O objetivo do acompanhamento cardiovascular é justamente contribuir para que o tratamento contra o câncer seja realizado da forma mais segura possível.


Medicamentos como as antraciclinas e algumas terapias direcionadas ao HER2, por exemplo, estão associados ao risco de alterações na função cardíaca. A radioterapia na região do tórax também pode exigir atenção cardiovascular em situações específicas.

É nesse encontro entre oncologia e cardiologia que atua a cardio-oncologia: uma área voltada à prevenção, identificação e manejo de problemas cardiovasculares relacionados ao câncer e ao seu tratamento.


Quais sintomas merecem atenção?


Algumas alterações cardiovasculares podem ser silenciosas no início. Outras podem provocar sintomas como falta de ar, cansaço diferente do habitual, palpitações, dor ou desconforto no peito e inchaço nas pernas.

Esses sinais podem ter diferentes causas e não significam necessariamente que exista uma complicação cardíaca. Porém, durante ou após um tratamento oncológico, devem ser comunicados à equipe médica para que possam ser investigados adequadamente.


Como é feita a avaliação do coração?


O acompanhamento depende do tratamento utilizado e do risco cardiovascular de cada paciente.

Antes de determinadas terapias, a avaliação pode considerar fatores como histórico de doença cardiovascular, pressão arterial, colesterol, diabetes e outros fatores de risco. Dependendo do caso, também podem ser indicados exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e exames de sangue específicos.

Esse acompanhamento não termina necessariamente quando acaba o tratamento contra o câncer. Algumas alterações cardiovasculares podem aparecer posteriormente, e pacientes que receberam tratamentos potencialmente cardiotóxicos podem precisar de seguimento individualizado.


É possível proteger o coração durante o tratamento do câncer de mama?


Em muitos casos, sim. O primeiro passo é conhecer o risco cardiovascular da paciente antes do início de terapias potencialmente cardiotóxicas e definir a estratégia de acompanhamento mais adequada.

Também é importante controlar fatores de risco cardiovascular já conhecidos, como hipertensão, colesterol elevado e diabetes, além de manter hábitos saudáveis conforme a orientação da equipe responsável. Quando são identificadas alterações cardíacas, a conduta é individualizada e pode incluir acompanhamento mais próximo e tratamento cardiológico específico.

O ponto central é que cuidar do coração não significa competir com o tratamento oncológico. Ao contrário: a cardio-oncologia busca preservar a saúde cardiovascular para que a paciente possa receber o tratamento contra o câncer com segurança.


Quando procurar um especialista?


A avaliação cardiológica pode ser especialmente importante para pacientes que já possuem doença cardiovascular ou fatores de risco e vão iniciar um tratamento oncológico com potencial impacto sobre o coração.

Também pode ser indicada quando exames mostram alguma alteração ou quando surgem sintomas cardiovasculares durante ou após o tratamento. Pacientes consideradas de alto ou muito alto risco cardiovascular relacionado à terapia oncológica têm recomendação de avaliação especializada segundo as diretrizes europeias de cardio-oncologia.

A necessidade e a frequência desse acompanhamento devem ser definidas individualmente, em conjunto com a equipe que conduz o tratamento.


Um cuidado que olha para a mulher por inteiro


O avanço no tratamento do câncer de mama torna cada vez mais importante pensar não apenas no controle da doença, mas também na saúde da mulher durante e depois dessa jornada.

Nesse contexto, mamas e coração não precisam ser vistos como cuidados separados. Para algumas pacientes, acompanhar a saúde cardiovascular é parte importante do próprio tratamento oncológico.


Se você está em tratamento para câncer de mama, já concluiu essa etapa ou vai iniciar uma terapia potencialmente cardiotóxica, converse com sua equipe médica sobre a necessidade de uma avaliação cardiovascular. Quando indicada, uma consulta cardiológica pode ajudar a definir um acompanhamento adequado ao seu perfil e ao seu tratamento.



Para quem busca acompanhamento em Campinas, Jaguariúna ou por telemedicina, a Dra. Ana Rachel Zollner oferece avaliação cardiológica individualizada, com mais de 15 anos de experiência clínica, formação pela UNICAMP e títulos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e pelo DIC/SBC.

Posts recentes

October 22, 2026
Por que voltar ao cardiologista mesmo quando os exames estão normais? “Doutora, é rapidinho! Só preciso renovar minha receita.” “Meus exames estão bons, será que preciso mesmo passar por outra consulta?” Essas são situações muito comuns nos consultórios médicos. Afinal, quando o paciente está se sentindo bem, utiliza a mesma medicação há anos e não percebe mudanças na saúde, é natural questionar a necessidade de uma nova avaliação. Mas existe um ponto importante: estar sem sintomas ou apresentar exames normais não significa, necessariamente, que o acompanhamento cardiológico possa ser dispensado. A consulta com o cardiologista vai muito além da análise de exames ou da renovação de receitas. É uma oportunidade de avaliar se a saúde cardiovascular permanece estável e se o tratamento continua adequado às necessidades atuais do paciente. Por que a reavaliação cardiológica é importante? A saúde do coração não depende apenas dos resultados de exames. Durante uma consulta de acompanhamento, o cardiologista considera diferentes aspectos que podem influenciar o risco cardiovascular, como: Pressão arterial e frequência cardíaca; Peso e composição corporal; Alimentação e prática de atividades físicas; Qualidade do sono; Rotina, estresse e hábitos de vida; Histórico de saúde e fatores de risco; Uso de medicamentos e resposta ao tratamento. Essas informações ajudam a compreender não apenas como o paciente está naquele momento, mas também se houve mudanças que exigem ajustes na condução clínica. Afinal, os exames podem continuar semelhantes, mas o paciente já não ser o mesmo. Exames normais significam que está tudo bem com o coração? Ter exames dentro dos parâmetros esperados é uma informação positiva, mas não representa, isoladamente, uma avaliação completa da saúde cardiovascular. Algumas condições, como hipertensão arterial e alterações do colesterol, podem evoluir sem sintomas perceptíveis. Além disso, o risco cardiovascular é influenciado por fatores que podem mudar ao longo do tempo, incluindo idade, peso, hábitos de vida e presença de outras doenças. Por isso, a interpretação dos exames precisa considerar o histórico clínico e as condições individuais de cada paciente. Por que não basta apenas renovar a receita médica? Quando um medicamento é utilizado há muito tempo, pode surgir a impressão de que não existe necessidade de rever o tratamento. Entretanto, a renovação de uma receita também envolve avaliar se a medicação, a dose e a estratégia terapêutica continuam apropriadas. Durante a reavaliação, o cardiologista pode identificar a necessidade de manter, ajustar ou modificar determinada conduta, considerando a evolução clínica, possíveis efeitos adversos e outros medicamentos em uso. Isso não significa que todo retorno resultará em mudanças no tratamento. Muitas vezes, a melhor decisão é justamente manter o que está funcionando. O importante é que essa decisão seja tomada com base em uma avaliação atualizada. Quando procurar um cardiologista para reavaliação? A frequência das consultas depende das condições de saúde, dos fatores de risco e das orientações médicas. Pessoas com hipertensão, colesterol elevado, diabetes, doenças cardiovasculares diagnosticadas ou em uso contínuo de medicamentos podem precisar de acompanhamento periódico. Mesmo quem se sente bem pode se beneficiar de avaliações preventivas, conforme seu perfil de risco. O intervalo ideal entre as consultas deve ser definido individualmente, considerando as necessidades de cada paciente. Na presença de sintomas novos, como palpitações, falta de ar, tonturas ou desconforto no peito, é importante procurar avaliação médica, sem aguardar o retorno programado. Dor no peito intensa ou persistente, especialmente acompanhada de falta de ar, suor frio ou desmaio, exige atendimento de urgência. Reavaliar também é uma forma de prevenir A vida muda. A rotina muda. Os hábitos mudam. E as necessidades de saúde também podem mudar. Por isso, o acompanhamento cardiológico não deve ser visto apenas como uma etapa burocrática para renovar receitas ou conferir exames. É o momento de verificar se as decisões tomadas anteriormente continuam fazendo sentido para a realidade atual do paciente. Mais do que observar resultados, acompanhar é compreender a evolução da saúde ao longo do tempo.  A Dra. Ana Rachel Zollner é cardiologista, com mais de 15 anos de experiência clínica, formação pela UNICAMP e títulos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e pelo DIC/SBC. Realiza avaliações cardiológicas, considerando o histórico de saúde, os fatores de risco e as necessidades de cada paciente.
October 1, 2026
Celebrado em 29 de setembro , o Dia Mundial do Coração foi criado para reforçar um ponto essencial: as doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de morte no mundo e exigem prevenção contínua. Não se trata apenas de lembrar do coração por um dia, mas de transformar informação em atitude. Muitas alterações cardíacas evoluem em silêncio. Hipertensão arterial, colesterol alto, pré-diabetes, diabetes, apneia do sono e arritmias nem sempre provocam sinais claros no início. Em outras palavras, sentir-se bem não garante que a saúde cardiovascular esteja em ordem.  A prevenção é mais eficaz quando acontece cedo. Isso inclui conhecer o histórico familiar, medir a pressão regularmente, acompanhar exames laboratoriais e observar mudanças no corpo e na disposição. Em cardiologia, o diagnóstico precoce costuma ampliar opções de tratamento e reduzir riscos futuros.
By Fernanda Utrini • September 29, 2026
No Dia Mundial do Coração, a Dra. Ana Rachel Zollner falou sobre um tema que merece atenção: algumas doenças cardiovasculares podem evoluir silenciosamente, sem apresentar sintomas por anos. Na entrevista, ela explica por que fatores como pressão alta e colesterol elevado precisam ser acompanhados mesmo na ausência de sintomas e como a avaliação adequada ajuda a identificar riscos e orientar a prevenção. Outro ponto interessante da conversa é a chamada “idade do coração” : uma forma de compreender como diferentes fatores de risco podem impactar a saúde cardiovascular ao longo do tempo. Com mais de 15 anos de experiência clínica, formação pela UNICAMP e títulos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e pelo DIC/SBC, a Dra. Ana Rachel Zollner atua com acompanhamento cardiológico individualizado em Campinas, Jaguariúna e também por telemedicina. Assista à entrevista e entenda por que cuidar do coração também é importante quando aparentemente está tudo bem. Link: h ttps://www.youtube.com/watch?v=OEz4Oogayb4
By Ana Rachel Zollner • April 30, 2025
Acompanhe a importância dos cuidados cardíacos na gestação, sintomas, tratamentos e influências no pós-parto.
By Ana Rachel Zollner • April 30, 2025
Descubra como a cardiologia para bem-estar pode auxiliar na saúde do coração, mesmo sem sintomas aparentes, e a sua importância antes de iniciar atividades físicas.